A valorização dos subprodutos resultantes do
processamento da uva e do vinho, tem vindo a consolidar - se como uma parte
essencial das boas práticas de produção.
Comparativamente à longa tradição da produção
vitícola, o aproveitamento industrial dos respetivos subprodutos é bastante
recente.
No final do século XX, o consumo mundial de
vinho, aliado a uma crescente consciencialização das populações sobre os
aspectos ambientais relacionados com a elaboração das indústrias levou ao
aparecimento de empresas especializadas de processamentos de subprodutos,
designadas como destilarias. (Braga, 2007)
Em Portugal desde á muito tempo a
vitivinicultura possui uma grande importância económica e social. Com o
aparecimento de grandes empresas produtoras de vinho como as adegas
cooperativas, começou-se a definir estratégias para a valorização dos
subprodutos da vinificação.
Com uma área aproximadamente de 250 mil
hectares de vinha, são gerados anualmente em Portugal, mais de 150 mil
toneladas de subprodutos de vinificação (IVV, 2002 a 2006).
Um destes é a aguardente vínica, que é um produto com um teor alcoólico máximo de 80% (v/v), à saída dos aparelhos de destilação, obtido por destilação exclusiva de vinho e/ou por redestilação de destilados de vinho (Decreto-Lei nº 390/86). (Sara Canas e Ilda Caldeira)
Um destes é a aguardente vínica, que é um produto com um teor alcoólico máximo de 80% (v/v), à saída dos aparelhos de destilação, obtido por destilação exclusiva de vinho e/ou por redestilação de destilados de vinho (Decreto-Lei nº 390/86). (Sara Canas e Ilda Caldeira)
DESTILAÇÃO DE SUBPRODUTOS DO VINHO
O princípio da destilação baseia-se na
separação do álcool numa solução alcoólica.
Definição
Bagaço: Resíduo sólido composto pelas películas,
grainhas e engaços, proveniente da prensagem das uvas frescas, podendo conter
ou não açúcares por fermentar (Braga, 2007).
Cerca de 70% dos bagaços de uva produzidos em
Portugal, provêm do bagaço de castas tintas. Na tabela 1 podemos observar o
perfil analítico geral de bagaço proveniente de uvas brancas e tintas:
Destilação
de bagaço de uvas tintas:
O bagaço proveniente de uvas tintas, com pouco
teor de açúcares residuais, a destilação é feita por arrastamento com vapor com
o objectivo de obter uma solução hidroalcóolica com teores entre os 20% e os
40% de volume, designada por “aguardente bagaceira”. Esta solução pode ainda
ser submetida a uma nova destilação, conhecido como a “desalcoolização” dos
bagaços, dando origem a um álcool neutro, que não apresenta as impurezas características
do início e do fim da destilação (O.I.V)
Através
da figura é possível observar a
sequência de operações envolvidas na destilação por arrastamento com vapor de
bagaço fermentado.
Sistema de Destilação por arraste de vapor:
Destilação
de bagaço de uvas brancas:
Contrariamente aos bagaços tintos, os bagaços
provenientes de uvas brancas, apresentam um grande teor de açúcares residuais,
sendo o teor alcoólico esperado elevado. Neste caso os bagaços são sujeitos a
uma operação de lixiviação em contracorrente, sendo produzida uma água-pé com
cerca de 3% de vol. e de 30 a 50 g L-1 de açúcares. Esta água-pé irá
permanecer cerca de 72 horas em depósitos apropriados a fim de elevar o seu
teor alcoólico através de uma fermentação adicional dos açucares residuais,
antes de ser destilada (Braga, 2007)
Na figura observa-se o esquema de operações
envolvidas:
Definição
Borras: São resíduos que ficam depositados no
fundo dos depósitos de fermentação e armazenamento de vinho, e também obtidos
pela filtração e centrifugação do vinho (Braga, 2007)
Destilação
de Borras: As borras são armazenadas nas
destilarias em depósitos cilíndricos de grande capacidade, depois são
transferidas para pré-aquecimento nos permutadores de condensação dos vapores
alcoólicos no topo da coluna destiladora, antes de serem introduzidas no prato
de alimentação desta clona. Dá-se então a separação do Etanol (álcool vínico
95%), da “vinhaça”.
A
solução hidroalcoólica obtida pela destilação do bagaço, da borra ou da água-pé
fermentada deve apresentar determinadas características físico-químicas para
poder ser comercializada.
Dependem da qualidade dos subprodutos e da
técnica e equipamentos usados na destilação, que ditaram a composição e do teor
alcoólico final do produto obtido.
Do ponto de vista industrial os dois mais
importantes são o álcool vínico e a aguardente vínica.
A
aguardente vínica tem especial importância em Portugal porque é essencial para
a produção do vinho do Porto (Braga, 2007).
Por: Cristovão Faustino; Ricardo Sarrazola; Valter Peixoto



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